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Tradições e histórias

A figura que tradicionalmente chamamos de “caipira”, no centro-sul do Brasil, é uma forma híbrida de cultura europeia e matrizes indígenas (sobretudo tupis e guaranis).

(imagem: Caipira picando fumo: Almeida Junior, 1893)

A casa do caipira, muitas vezes vista como simples ou rústica, na verdade expressa um pragmatismo indígena: tenho o que posso carregar.

Por isso bancos, tamboretes, redes, esteiras eram tão mais comuns na casa do caipira do que grandes camas, com dosséis, armários e trocadores. A escolha dos materiais também se dava pela disponibilidade no ambiente: madeiras, fibras vegetais, barro, pimentos naturais.

Por fim, a figuração e a decoração sempre se remetiam ao mundo natural e suas referências: frutas e plantas, flores e animais da mata atlântica.

Assim, na composição da decoração e do mobiliário do Ronco do Bugio entraram peças que se remetem a esse universo caipira (algo colonial), como arcas e baús (usados antigamente nas viagens pelas estradas do interior), objetos de madeira, decorações que usam vastamente matérias primas rústicas e com uma figuração inspirada na natureza.

Entretanto, objetos indianos ou do extremo oriente também podem ser encontrados aqui e ali. A sintonia? Justamente no fato dessas culturas, apesar da distância geográfica, possuírem referências e relações com o mundo natural semelhantes, o que permite um diálogo dos objetos e da arte.

(Pesquisa e texto: Rodrigo Silva, fundador da Conceito Humanidades.