Piedade / SP - Como Chegar
  • Português do Brasil
  • English
SIGA-NOS

Benzição em Piedade

Ao rodarmos o Brasil mais profundo, em quase todas as pequenas cidades – e mesmo nas grandes – encontramos histórias de benzedeiras que curaram e ainda curam muitas pessoas.

A história da “benzição” nos revela um país de pessoas que conhecem de longa data as plantas de sua terra e sabem como manejá-las em cada situação de doença. É uma tradição oral, passada de geração para geração e adaptada em cada contexto. É um tradição de crenças e saberes em lugares onde médicos são escassos e, também, onde muito se desconfia da medicina tradicional.

Vila Élvio, Piedade-SP

Em Piedade, as história da dona Dita Gabié, a Guia do Matão, são muito conhecidas. Quando for ao Ronco, pergunte aos nossos colaboradores quem a conheceu ou ao menos já ouviu falar dela e do seu poder de cura. Quantas doenças do corpo e da alma ela curou!

Para visitá-la, os necessitados tinham que subir ladeiras íngremes mato adentro, pros lados da Vila Élvio, e dá lá saíam curados ou ao menos esperançosos de uma cura para seus males.

A força que move o poder de cura dessas mulheres é desconhecida. Seja pela fé, pelo conhecimento das plantas, seja por um chamado efeito placebo; fato é que já salvou muitas vidas. E por isso, queremos deixar aqui nosso testemunho de fé e a lembrança carinhosa que muitos colaboradores do Ronco carregam da dona Dita Gabié, a Guia do Matão.

Tradições e histórias

A figura que tradicionalmente chamamos de “caipira”, no centro-sul do Brasil, é uma forma híbrida de cultura europeia e matrizes indígenas (sobretudo tupis e guaranis).

(imagem: Caipira picando fumo: Almeida Junior, 1893)

A casa do caipira, muitas vezes vista como simples ou rústica, na verdade expressa um pragmatismo indígena: tenho o que posso carregar.

Por isso bancos, tamboretes, redes, esteiras eram tão mais comuns na casa do caipira do que grandes camas, com dosséis, armários e trocadores. A escolha dos materiais também se dava pela disponibilidade no ambiente: madeiras, fibras vegetais, barro, pimentos naturais.

Por fim, a figuração e a decoração sempre se remetiam ao mundo natural e suas referências: frutas e plantas, flores e animais da mata atlântica.

Assim, na composição da decoração e do mobiliário do Ronco do Bugio entraram peças que se remetem a esse universo caipira (algo colonial), como arcas e baús (usados antigamente nas viagens pelas estradas do interior), objetos de madeira, decorações que usam vastamente matérias primas rústicas e com uma figuração inspirada na natureza.

Entretanto, objetos indianos ou do extremo oriente também podem ser encontrados aqui e ali. A sintonia? Justamente no fato dessas culturas, apesar da distância geográfica, possuírem referências e relações com o mundo natural semelhantes, o que permite um diálogo dos objetos e da arte.

(Pesquisa e texto: Rodrigo Silva, fundador da Conceito Humanidades.